O Kings of Leon surgiu há 5 anos, exatamente a época em que o rock encontrava uma necessidade de ser relevante novamente. Havia uma entressafra de bandas para ditar as regras do jogo, apontar os caminhos. O último grande movimento concentrado, o grunge, já tinha 10 anos. Ok Computer, último sinal de tendência a ser seguida e aprimorada, já tinha 5. No momento, o rock se rendia a estilos cooptados pela indústria fonográfica para soarem furiosos, como o rap-metal de “Korn e “Limp Bizkit” e o punk-adolescente de “Blink 182”. Não ditavam as regras, e sim eram produtos das mesmas.
Nesse contexto, ele tentava se reencontrar, achar um viés para desbravar novamente num caminho em que sempre esteve ligado: a contracultura. Muitos acharam que essa rota estaria no cruzamento com a música eletrônica, e falharam. Outros procuraram olhar pra trás, e procurar outros períodos de entressafra pelas qual o rock já havia passado. Concomitantemente, a era do MP3 começava a ganhar uma força monstruosa, o que possibilitou e ampliou esse resgate. E não apenas isso, como facilitou a divulgação das bandas que participaram dessa reavaliação. Daí surgiu o Strokes, daí o White Stripes ganhou força comercial. E daí, pouco depois, o Kings of Leon dava suas caras.
E entre tantas fusões, alterações e releituras de estilos, o Kings procurou achar o seu próprio lugar ao sol. Não se bastou na conclusão que as outras bandas chegaram, de que o rock necessitava novamente da mentalidade do-it-yourself minimalista das bandas garageiras sessentistas. Eles resolveram ir um pouco mais além, e encontraram o Southern Rock de Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Neil Young, o rock interiorano americano mais aliado ao country e ao folk. E juntaram a ele uma coisa que muitas bandas esqueceram de ver que também faltava na entressafra 2000: a diversão. Seus dois trabalhos transparecem uma característica que não é tão fácil de achar nas bandas atuais: tesão de tocar.
E agora lançam “Because of the Times”. Diferenças? O disco soa mais coagido com a necessidade de se firmar à sua geração musical. Músicas menos raivosas, canções mais longas, monocordismos. A mudança talvez se deva pela preocupação de não ficar datado quando a poeira da atual conjuntura musical baixar. Besteira, afinal alguém pensa no Stray Cats como uma banda dos anos 50? O grupo se afastou um pouco do clichê “banda de pub” adicionado à fórmula dos seus primeiros trabalhos. “Because of the Times” soa um pouco mais preso, o que não representa necessariamente perda de qualidade ou mesmo de personalidade. O Kings of Leon ainda caminha por uma estrada própria dentro do rock contemporâneo: uma estrada barrenta, deserta e cheia de percalços. E, no entanto, mais divertida e com muito mais gás que as demais.



