sexta-feira, 16 de março de 2007

Norah Jones - Not Too Late (2007) *


Seja quente ou frio, nunca seja morno. Essa frase se torna muito pertinente para apontar a principal fraqueza de “Not Too Late”, terceiro trabalho da cantora Norah Jones. Suas músicas continuam com a mesma levada pop-jazz dos discos anteriores, com arranjos econômicos que privilegiam os silêncios e pausas para criar um clima leve e ao mesmo tempo emotivo. Entretanto aqui a emoção fica menos evidente. Muito devido à imposição mais contida da voz de Jones, muito às próprias escolhas estilísticas. O que poderia propiciar uma maior elegância, na verdade acaba soando arrastado e impreciso.

As composições não fazem feio, o que é um grande alívio, afinal trata-se do álbum mais autoral da cantora (todas as músicas têm participação de Norah na composição). Um tanto mais pop que as canções gravadas anteriormente, mas nem por isso pode-se dizer que é um álbum mais comercial. Na verdade não há em “Not Too Late” uma profunda mudança em termos de estilo e seqüência em sua carreira. Estão lá todos os elementos que funcionaram tão bem antes: o jazz de cabaré (“Sinkin Soon”), as baladas delicadas (“Not My Friend”), uma influência moderada de country (“Wake Me Up”). E apesar de tudo, é um disco diferenciado. Mas essa diferença acaba se tornando seu demérito: a tentativa de um álbum mais contido acabou se perdendo em uma exagerada moderação. Sem altos e baixos, ele não empolga, não incita novas audições.

O destaque positivo acaba sendo a única canção que desvirtua um pouco essa regra, a valsa “My Dear Country”. Climática e melancólica, a canção destoa por justamente ter um arranjo e uma interpretação condizente com a sua natureza. Infelizmente não é a tônica de “Not Too Late”. Por não apresentar um desnível tão grande, vai agradar à grande maioria dos fãs da cantora, mas fica a sensação que, na mão de uma produção mais aberta, dinâmica e sensível, ele renderia muito mais.

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