Os Stooges sempre foi a banda seminal do garage rock. O garage rock costumam ter seu sentido e conceito distorcidos, sua energia confundida com tosquice, e seu minimalismo com descuido. Mas ignorando isso tudo, foi expoente de um movimento musical que revolucionou o rock´n´roll como poucos. A “Blank Generation”, como ficou conhecido o conjunto das bandas garageiras dos anos 70, pregava a urgência, o niilismo, a intensidade máxima até as últimas consequências. Fácil de compreender se pensarmos que surgiu na ressaca do “Flower Power”, quando as esperanças do conceito “paz e amor” foram corroídas pelos exageros e os ídolos da geração hippie estavam morrendo ou definhando.
Entretanto, uma armadilha fácil da atual crítica musical é desvincular as músicas e movimentos da época que foram gerados, baseando suas análises estritamente no campo auditivo, desprezando seu valor e esquecendo que o subversivo de ontem é o incompreendido de hoje. Não é difícil entender o porquê disso. Em um tempo que o rock é cada vez menos usado com canalizador das inconstâncias e inconformismos da juventude, não faz sentido buscar atribuições maiores à música do que sua única e exclusiva função de nos entreter.
E no meio dessa crise de identidade do rock mais desregrado que os Stooges retornam com “The Weirdness”, ou “A Esquisitice”. O título não poderia ser mais apropriado: A despeito de suas qualidades e imperfeições, os Stooges disparam sua energia contra ouvintes moderados, desprovidos de inquietudes visíveis ou que estejam claras em um inconsciente coletivo. Se hoje o rock ainda é conceito, é muito mais pela postura blasé cuidadosamente calculada, ou pelas influências medidas a conta-gotas, do que por um idealismo. Não há nada mais anacrônico do que procurar, na música, uma identificação na forma de enxergar o mundo.
Falando de suas qualidades específicas, “The Weirdness” é inferior aos discos anteriores. Percebe-se tesão e tensão misturadas em cada uma de suas faixas. Mas a sinceridade está ali, explícita, como pouquíssimos trabalhos atuais ousam mostrar. Adjetivos como “cru”, “visceral” e “selvagem” sempre protagonizaram os clichês jornalísticos em torno dos Patetas. O engraçado é que atualmente essas palavras dificilmente são devidamente compreendidas. Ou pior: são confundidas a todo momento com rebeldia plastificada.
A energia não se foi, mas não estamos falando mais de rapazes de vinte e poucos anos com pouca pretensão de um futuro promissor, e sim de senhores quase sexagenários buscando juntar os cacos do passado que não esperavam que fossem ter. “The Weirdness” soa como um estranho no ninho, um sopro cansado e comedido de inspiração em meio à estagnação na qual se encontra atualmente o espírito contestador do rock.

Nenhum comentário:
Postar um comentário